sábado, 13 de dezembro de 2008

Crítica: Prefácio

Acho que já comentei que não gosto muito de Botafogo. Mas tenho que almoçar lá quase todos os dias por causa do trabalho e por isso fico garimpando boas opções. Atualmente a minha preferida é o restaurante que existe dentro da Livraria Prefácio no finalzinho da Voluntários da Pátria.

Primeiro que, ao atravessar a porta logo se tem a impressão de estar em um café/restaurante/livraria em qualquer lugar da França e muito afastado da insanidade que é a Voluntários da Pátria. Nos fundos com paredes de pedra ou nos dois mezaninos é fácil esquecer o que tem lá fora e ficar admirando as prateleiras cheias de livros.

Outro tiro certo é a música do lugar. É sempre aquela boa seleção que parece que nem está lá. Ou seja, o ambiente está ótimo, agradável e você não percebe exatamente o que é quando de repente percebe como a música está agradável. Esta é a verdadeira música ambiente!

Mas é claro que eu não vou lá apenas para ouvir música ou admirar os livros. Tem o prato do dia. Ah, o prato do dia...

Da última vez veio uma salada verde com tomate cereja e molho de mostarda de entrada seguido por um frango orientar (com pimentão, cebola e condimentos), arroz e um tomate recheado com ricota temperada. Não sou muito de ricota, mas esta estava gostosa.

A verdade é que nunca me decepcionei com o prato do dia da Prefácio, que ainda vem acompanhado por uma taça de vinho tinto e uma sobremesa. Desta vez era pudim de leite. Muito gostoso, apesar da minha mãe fazer um pudim melhor.

Vale conferir. Repetir, repetir e repetir.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Lanche ou almoço enrolado?

Finalmente fui almoçar no Wraps do Shopping Leblon, restaurante que queria experimentar há algum tempo sem saber exatamente se seria uma boa refeição ou lanche.

Descobri um delicioso restaurante, bem comandado por uma chef (Carole Crema, chef paulistana com passagens por Londres e Milão), com atendimento qualificado e comida muito gostosa. Pena que todos os seus restaurantes no Rio de Janeiro fiquem dentro de um shopping.

Na nossa mesa pedimos a sopa fria de cenoura e gengibre com um toque de azeite aromatizado com curry. Estava uma delícia e dividimos com três colheres! Já as saladas estavam sem graça.

Os Wraps também estavam deliciosos. O Genovês, vegetariano, com a deliciosa combinação de abobrinha, shitake (não adianta, eu adoro shitake!) e cogumelos paris com uma bem derretida mussarela ligth estava ótimo. Coloquei um pouco de sal para ficar melhor.

Os outros dois não precisaram de sal e também estavam ótimos. O super-simples Viking de salmão defumado, alface e cream cheese agradou muito. Mas o campeão da mesa foi o Vietnamita com camarões grelhados, champignon, broto de feijão, shitake (olha ele aí novamente!!!), alface e um delicioso molho agridoce.

As outras estrelas da casa são os Smoothies. Não matam a minha sede, mas estavam deliciosos. Os escolhidos da mesa foram Ellis Island e Paquetá.

Recomendo para um almoço. Ou lanche.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Comer

Falei, falei, falei e falei do encontro de chefs do Portobello. Também foi um final de semana que comi, comi, comi e comi. Só parei nos intervalos para beber vinho.

Foi um final de semana bem difícil de compensar na esteira. Ainda estou suando horrores para devolver um pouco de dignidade estética ao meu corpo.

Mas, e o prazer de comer? O verbo “comer”, na minha humilde opinião, sempre representa um ato extremo e natural, que desperta os sentidos mais enraizados na nossa condição de animais mamíferos, carnívoros e gourmets. (Uau!)

Dizer que iremos comer o fígado de alguém não representa um ato violento, mas é um ato extremo. Não chega a ser uma selvageria, apesar do canibalismo não ser praticado em sociedades modernas. É quase uma redenção, algo como “terei o meu prazer renovado”, como se a sensação final fosse deleite, vingança e satisfação. “Vou comer o seu fígado e com isso nós dois teremos aquilo que merecemos!”.

É claro que este blog não fala disso. Não vou comer o fígado de ninguém. Bem, de nenhum ser humano pelo menos, já que um fígado de boi acebolado ou um foie gras com trufas e vinho do porto nunca serão dispensados!

Mas vou escrever sobre uma que é das mais básicas necessidades de qualquer ser humano para levar uma vida feliz: Comer bem. Comer muito bem.

Críticas, elogios, receitas, comentários e indicações cuidadosamente elaborados sem nenhum critério científico ou preceito jornalístico. Nenhum. Baseadas única e exclusivamente em extensas experimentações feitas por um comitê especialíssimo formado por mim e qualquer outra pessoa que quiser colaborar.

Nada além da nossa humilde opinião.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Encontro de Chefs no Portobello

Como era de se esperar, o encontro com chefs e comilões (o meu caso) foi espetacular. Algumas arestas devem ser afiadas para o ano que vem. As mini-aulas, por exemplo, deixaram um pouco a desejar por faltar uma boa estrutura onde pudéssemos colocar “a mão na massa” e a boca na comida depois de pronta.

Sem dúvida tudo teria sido muito melhor se, ao invés de Buffet, as refeições fossem servidas nos pratos criados, decorados e apresentados pelos chefs. Mas, no geral, tudo foi delicioso e valeu muito. Parece que o próximo será em Abril e eu espero estar lá novamente.

Jantar do Checho

Confesso que minhas maiores expectativas estavam no jantar servido pelo chef boliviano Checho Gonzáles, que já comandou a cozinha do Zazá Bistrô e do restaurante Pecado. Já havia lido sobre suas criações mas ainda não tinha tido a chance de experimentá-las. Checho também se mostrou muito simpático e reservado todos os dias do festival.

Na minha humilde opinião foi a melhor refeição. Não foi à toa que nossos companheiros de mesa desta noite chamaram o chef para cumprimentá-lo com uma salva de palmas.

Tudo estava ótimo, mas as carnes e os molhos separados foram o grande destaque. Deu vontade de experimentar todas as combinações, o que infelizmente não foi possível por falta de espaço no estômago.

O destaque então não vai para um dos pratos principais, mas sim para uma entrada: o wrap de frango com molho de menta estava, além de bonito, fan-tás-ti-co. E as sobremesas simplesmente me deixaram passando mal de tanto comer.

Dizem que Checho está planejando uma mudança para São Paulo... não faz isso com a gente não Checho!

Almoço do Renato

Renato Vicente, chef dos hotéis Pestana, ainda não tinha aparecido. Chegou na sexta-feira bem tarde e virou a noite cozinhando o almoço português que nos foi servido no sábado.

Definitivamente a comida portuguesa não é uma comida bonita. E uma boa comida precisa ser gostosa, diferente, agradável de se comer, cheirar e ver. Com certeza os pratos apresentados não cumpriam todos estes requisitos. Não por culpa do chef, comida portuguesa é assim mesmo.

Mas gostosa estava. E por isso eu fechei os meus olhos e comi muito. Destaque para o esparrado de espinafre com camarão. Uma espécie de caldo muito bem temperado e com generosos camarões descascados. Tinha também uma espécie de tempura de legumes que me pareceu mais japonês que português. Mas eu adoro, então comi muito muito.
O arroz de lebre estava razoável (enchi de azeite para dar uma graça) e o carneiro estava muito gostoso também.

O jantar do Pierre

O jantar do Pierre (já estou me sentindo íntimo) não me decepcionou. Também não me surpreendeu. O arroz de sete cereais estava especial e o panaché de frango estava muito saboroso. Seu risoto de pato já não estava tão espetacular.

O que eu curti mesmo esta noite foi o vinho argentino Malbec El Ciprés Antiguo 2003 [58,80]. Ótimo custo benefício. Depois de tanto vinho em um dia só, fui dormir com o estômago e a cabeça pesada.

Almoço francês de cabras brasileiras

O almoço hoje foi comandado pela estrela do final de semana. Olivier Cozan foi acompanhado pelo chef Reinaldo Pires da fazenda Genéve e serviram um gostoso almoço francês da região da Bretanha acompanhado por ótimos queijos de cabra da região serrana do Rio de Janeiro.

O destaque foi o carneiro assado na brasa desde às dez horas da manhã. Estava melhor que o cordeiro patagônico que comi em Ushuaia. O confit de repolho roxo, totalmente sem expectativas, também me surpreendeu. Teve ainda javali (não gostei apesar de estar muito bem preparado. Alguma coisa no molho me incomodou. Acho que o molho foi feito com vinho e sangue do próprio javali. Não gostei), pato, cuscuz e ravióli de brie, que na opinião da Ligia estava fantástico.

(Eu não gosto de brie. Eu sei, desculpe, mas eu não gosto. Fica valendo a opinião dela!)

Comi um pouco de cada, o que acabou sendo muito de tudo!

Depois do almoço presenciamos uma aula de sushi e sashimi com Pierre Landry e o sushiman de um novo restaurante que deverá abrir até o final do ano na Dias Ferreira (Leblon, Rio de Janeiro).

Para completar uma grande degustação de vinhos e queijos de cabra da Cremerie Geneve. Particularmente me chamou a atenção o espumante Malma Extra Brut [37,80]. E lá vamos nós que logo logo temos jantar francês com toques orientais pelo mesmo chef Pierre Landry.

Primeira noite

O primeiro dia começou com um coquetel onde todos os chefs (ou quase) estavam presentes e ofereceram seus canapés. Não estava muito claro quem fez o que, mas o chef Renato Vicente não tinha chegado ainda e, obviamente, não ofereceu nada.

Os canapés estavam gostosos, mas nada foi fantástico. O primeiro que chegou foi um tapa de cogumelos. Gostoso, mas esse eu mesmo faria (pretensão é de graça, né?). O melhor mesmo foi um copinho de creme aspargos com lagostin apresentado pelo simpático e sorridente chef francês Pierre Landry.

Foram bons os vinhos bebidos esta noite. Começamos pelo chileno Quinta Generación 2004 [128] da vinícola Viña Casa Silva e passamos para o Blend Colección Universo 04 [110] da vinícola argentina NQN Malma.

O jantar italiano comandado pelo chef Flávio Vasconcellos, do próprio hotel, estava bom mas sem nenhum grande ou médio destaque minha humilde opinião.
Como inaugurar um blog sobre as boas (e más) experiências culinárias? De quem falar primeiro? De onde falar primeiro? Do melhor? Do pior? Por um tempo me perguntei por onde deveria começar. Aí, em final de semana chuvoso de Novembro, de repente me descobri na oportunidade perfeita...

Estou em Mangaratiba, bem pertinho do Rio de Janeiro, no maravilhoso hotel Portobello que já freqüento há alguns anos. Preciso confessar que a minha experiência culinária aqui sempre foi muito mais marcada pela quantidade do que pela qualidade (da comida).

Mas neste final de semana aconteceu o primeiro encontro de chefs no hotel. Carlos Borges e Regina Rocha, junto com o famoso Olivier Cozan, trouxeram outros quatro grandes chefs que atuam em restaurantes brazucas e vieram mostrar o que podem fazer de melhor. As expectativas foram grandes e ao longo dos dias fui registrando minhas experiências a minha humilde opinião, que apresento a seguir...